Dúvidas (1)
X: Estou a enviar algumas das minhas dúvidas e reflexões sobre a aula que nos enviou.
Primeiramente, gostaria de saber se há ou se pode ser feita alguma aproximação entre a filosofia de Schopenhauer e a fenomenologia. Pois, o fenómeno ocorre nesta interrelacao entre sujeito e objeto, nesta consciência que se cria no objeto.
Também, pelo que notei o conhecimento de si teria alguma relação com a meditação, ou seja, quando o objetivo é o esvaziamento mental racional?
Dúvidas mais pontuais, uma seria com relação a vontade e a arte, não me ficou claro se a vontade está na contemplação da obra ou na elaboração.
Também, fiquei a questionar se a vontade é racional ou sensacional, logo qual o grau de cognição desta se assim posso avaliar.
Por fim, por ora, qual a relação do se conhecer, do ser com a obra de arte.
CJ: Obrigado pelas suas questões.
A tese de Schopenhauer é, sem dúvida, mais próxima da filosofia de Kant do que da fenomenologia. Para Kant, há uma distinção entre a realidade em si mesma (a coisa em si) e a realidade como nos aparece (fenómeno). Schopenhauer está interessado em descortinar a natureza dessa "coisa em si", criticando apenas Kant por tê-la transformada num "objecto". Ora, a fenomenologia faz uma suspensão das nossas crenças sobre a realidade, incidindo a sua atenção no modo como as coisas nos aparecem. A fenomenologia é, sem dúvida, importante para outras teorias da arte, mas não para a de Schopenhauer.
Sim, há uma relação reconhecida pelo autor entre a sua visão do mundo e a filosofia dita oriental (meditação). Trata-se de conseguir um estado de concentração em que o sujeito que conhece fique totalmente absorvido pela representação que contempla. Se o conseguir, liberta-se de uma visão relacional e utilitária das representações que tem da realidade. Consegue, deste modo, atingir a Ideia (a realidade em si platónica) enquanto objectivação pura da vontade.
Na arte, a vontade e as suas ideias são representadas como imagens num espelho. A representação está totalmente para lá do princípio da razão. Esta atitude é necessária tanto para o génio criador, como para aquele que contempla uma obra de arte.
A vontade não é racional. Apenas está presente indirectamente no *desejo* de conhecimento humano que se releva nas quatro raízes do princípio da razão. Mas tem gradações, desde o desejo cego e irracional à vontade que se anula a si mesma, que nada quer, e que, como tal, permite uma atitude contemplativa estética.
Finalmente, a obra de arte é para Schopenhauer um modo de representar, para lá do conhecimento científico e utilitário, a realidade tal como ela é.
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