Dúvidas (8)
Fernando: Considerando que a experiência estética, na óptica do espectador visa, segundo Clive Bell, "que ela nos emocione", e que, presumo, suscite sensações de bem-estar e a elevação do espírito, no tocante as artes plásticas, poderão o feio, o asqueroso, o horrível ou o que poderia ser classificada como obra não muito elaborada ou plana (Rothko, slide 47 de Bell), ainda assim, serem classificados como belas artes?
CJ: Clive Bell considera, como Kant, que a arte tem o poder de conferir beleza e emoção estética a representações que poderíamos considerar como feias e horríveis. Foi isso que tentei ilustrar com pinturas de Goya que são muito belas artisticamente, mas que abordam situações terríveis. O mesmo se diga das fotografias - igualmente presentes na apresentação - de Sebastião Salgado ou mesmo a cena referida do filme de Coppola, Apocalypse Now. E a razão encontra-se no facto de Clive Bell pensar que é um certo tipo de configuração das linhas e das cores que suscita uma emoção estética e não tanto a representação, i.e. o que é figurado na obra. A pintura de Rothko levanta problemas interessantes. Sem dúvida que Bell não teria dificuldade, bem pelo contrário, em apreciar a pintura abstracta e, em particular, pinturas como a que exibo agora aqui. É a combinação especial de linhas e de tonalidades de cores, assim como o "ritmo" das mesmas que têm o poder de provocar as nossas emoções estéticas.
CJ: Clive Bell considera, como Kant, que a arte tem o poder de conferir beleza e emoção estética a representações que poderíamos considerar como feias e horríveis. Foi isso que tentei ilustrar com pinturas de Goya que são muito belas artisticamente, mas que abordam situações terríveis. O mesmo se diga das fotografias - igualmente presentes na apresentação - de Sebastião Salgado ou mesmo a cena referida do filme de Coppola, Apocalypse Now. E a razão encontra-se no facto de Clive Bell pensar que é um certo tipo de configuração das linhas e das cores que suscita uma emoção estética e não tanto a representação, i.e. o que é figurado na obra. A pintura de Rothko levanta problemas interessantes. Sem dúvida que Bell não teria dificuldade, bem pelo contrário, em apreciar a pintura abstracta e, em particular, pinturas como a que exibo agora aqui. É a combinação especial de linhas e de tonalidades de cores, assim como o "ritmo" das mesmas que têm o poder de provocar as nossas emoções estéticas.
Mas o que dizer de pinturas monocromáticas como as que se encontram na Capela de Houston? Kant, por exemplo, diria que estaríamos em face de cores e não de formas (logo, não seriam arte). Não sei qual seria a resposta de Bell, mas provavelmente sublinharia o facto de um quadro monocromático não deixar de ter forma se se tiver em consideração o espaço moldado, por exemplo, pela moldura que rodeia o espaço cromático. Como dizia Frank Zappa, numa citação já nossa conhecida, é a "frame" (moldura) que delimita o espaço artístico. Se essa forma é *significante* ou não, isso depende da apreciação de cada um. Podemos concordar que é a forma significante que constitui o denominador comum das obras de arte plásticas, mas não estarmos de acordo em relação à identificação das mesmas.

Comentários
Enviar um comentário