Dúvidas (10)
Maira: 1. Poderia dizer que a arte é uma metáfora da realidade? Mas, não estaria aproximando a uma ideia de comparação? Mas, quando diz que a arte é como se... Não é uma ideia de comparação aqui submetida?
CJ: A metáfora é um bom exemplo da identificação artística no âmbito da literatura. Veremos, a propósito de Nelson Goodman, como é possível articular a arte em geral com a metáfora. No caso de Danto, ele está a mostrar como se opera a fusão através da imaginação artística entre significação e sensibilidade. Eu observo uma linha e vejo nela, por exemplo, a linha do horizonte. Há uma comparação, mas penso que se procura ir mais longe.
Maira: 3. Quando trata da arte em seu contexto, nos faz refletir motivos de museus, cinema, livros e todos eventos artísticos, que a cultura digital extinguiria, mas que o rito de estar ali, modificar-se-ia no digital. Não que não haja seu valor, mas são momentos, situações distintas e um complementa o outro.
Maira: 2. Se a arte se justifica em seu contexto histórico, como explicamos os clássicos? Que justamente dizem transpassar o tempo? Intemporalidade deles? Seria certo?
CJ: Embora Danto confira um papel fundamental ao Modernismo, ele é claramente um autor que rompeu com essa tradição. Daí que para ele o contexto histórico e cultural seja importante na compreensão da arte. Isso não o impede de considerar a arte como um todo. A cláusula do contexto histórico é apenas um elementos entre outros na definição da arte.
Maira: 3. Quando trata da arte em seu contexto, nos faz refletir motivos de museus, cinema, livros e todos eventos artísticos, que a cultura digital extinguiria, mas que o rito de estar ali, modificar-se-ia no digital. Não que não haja seu valor, mas são momentos, situações distintas e um complementa o outro.
CJ: São, na verdade, ritos diferentes. Vejamos o exemplo da música. Numa primeira análise, a apresentação digital de uma composição musical - por exemplo, um concerto ao vivo - parece indistinta em termos sonoros da sua audição no local. Mas não só o ambiente é muito diferente, como eu posso ouvir as vezes que quiser - e como quiser - esse concerto digitalizado.
Maira: 4. Um outro parêntesis, mas não sei se estou a ir no caminho certo é com relação às teorias, todas são baseadas na sua antecedente, mas se complementam pelas obras que indagaram a teoria que a sucedeu, sinto que o artista possa não se questionar o que é arte, mas ficcionar a sua realidade. Com isso, acaba questionando sua vivência e a própria concepção de arte existente, o que faz os filósofos reavaliarem suas concepções de arte. É só uma reflexão.
CJ: Nos dias de hoje é difícil dissociar a prática artística da reflexão sobre a mesma. Até porque um artista pode sentir necessidade de se pronunciar sobre o mundo do qual ele faz parte, o mundo da arte.
Mas naturalmente isso não é obrigatório. O que é difícil imaginar é a criação artística realizar-se para lá das teorias de arte vigentes. Com a noção de teoria de arte não me estou a referir a estilos ou escolas, mas, sim, à visão vigente do que se entende por arte.
Maira: 5. Quando renega a representação artística, mas pensa enquanto interpretação, como diferenciar? Leitura, compreensão, modo de ser? Não sei, por mais que veja diferença, existe uma complementaridade entre elas.
CJ: Danto não renega a representação artística... ele é até considerado um neo-representacionalista (ver o slide de Noël Carroll sobre a questão). O que ele critica é confundir-se representação com imitação.
A verdade da teoria antiga está na representação; o erro foi confundi-la com imitação. Mas tem razão em chamar à atenção da interpretação. Para ele, não se trata apenas de um complemento de uma obra. Interpretar é constituir uma obra como obra de arte.
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